O ano de 2009, sem dúvida nenhuma, será lembrado como aquele em que o Brasil passou praticamente incólume à maior crise econômica mundial desde a quebra da Bolsa de Nova York em 1929. Por fatores diversos como a estabilidade econômica, as reservas financeiras e o rígido controle das taxas de juros, o Brasil foi muito pouco afetado pelo tsunami financeiro que varreu do mapa muitas instituições anteriormente vistas como sólidas e seguras. O mercado financeiro com sua autorregulamentação, mostrou que a ânsia por maiores ganhos tolhe a visão de quem deveria ser o primeiro interessado na sua perenidade: os donos de instituições financeiras e seus executivos.
Foi emblemático o caso do setor imobiliário, onde os bancos aceitavam como garantia o próprio imóvel financiado. Quando se percebeu que o valor real de venda deste imóvel representava apenas uma fração da dívida total, foi o momento em que o primeiro dominó foi derrubado, levando a um efeito cascata que combaliu todo o sistema financeiro mundial. No Brasil, além dos fatores já citados, isto não foi sentido pois a forma como a CEF conduz os financiamentos da casa própria não deixam margem para especulação financeira.
No que tange ao comércio local e regional, os dados das federações do comércio nos dão conta de que houve em 2009 um crescimento entre 7 e 9 por cento em relação a 2008, o que representa um avanço real pois o IPCA - Índices de Preços ao Consumidor e o reajuste médio dos salários ficou na casa de 4,5%. Ganho maior ainda em relação ao PIB brasileiro, que em 2009 estacionou num patamar próximo de zero. Isto mostra que o comércio foi a mola propulsora do mercado e que tende a seguir crescendo. Entretanto, Na indústria houve uma queda de 7,4 % em relação a 2008, sendo que alguns setores que atendem o mercado externo, como mineração e calçados, tiveram as maiores perdas. Em 2010 espera-se a retomada dos investimentos neste setor que seguirá sendo de fundamental importância na geração de emprego e renda.
Nesse contexto, a ACII, Associação Comercial e Industrial de Ituiutaba, vem trabalhando ano após ano no sentido de sensibilizar as lideranças locais, estaduais e federais para a importância da melhoria da infraestrutura logística de transporte, que é o principal meio de abastecimento do nosso comércio. Assim sendo, projetos como a homologação da ampliação da pista e balizamento noturno do nosso aeroporto e a ligação asfáltica da BR 154, Ituiutaba-Bastos, continuarão sendo objetos de nossos esforços. Recentemente já vimos concretizados dois projetos para os quais demos nossa colaboração e empenho: a revitalização da BR 365 com reconstrução do acostamento e criação da terceira pista no trecho Trevão-Chaveslândia e a duplicação do trecho Trevão-Uberlândia, que facilitará tanto o escoamento da nossa produção industrial quanto a vinda de mercadorias para o nosso comércio. Além disso nossa parceria com o SEBRAE visando a capacitação setorial trouxe reações muito interessantes às empresas concorrentes, que muitas vezes tem um poder de fogo maior calcado na compra de alta escala no atacado. Seguiremos também reforçando nossos convênios que visam beneficiar nosso filiado em áreas diversas como acesso a crédito, saúde pessoal, desconto em rede dentre outros.
Outra frente de trabalho que devemos abrir em breve juntamente com nossas entidades parceiras SINCOVI e CDL é uma discussão bastante ampla e assertiva sobre o horário de funcionamento do comércio local. As leis do trabalho estão muito bem estabelecidas na CLT mas a constituição federal faculta aos municípios a regulamentação do horário de trabalho. No nosso entendimento, o comércio da nossa cidade perde muito por não ter um horário de trabalho mais flexível pois em outras cidades as empresas podem funcionar em horários alternativos. Muitos consumidores de Ituiutaba são levados a comprar em outras praças quando viajam a trabalho ou laser para cidades onde o comércio abre em fins de semana e feriados. Também perdem os trabalhadores que buscam uma oportunidade de trabalho pois o horário atual de funcionamento do comércio limita a geração de novas vagas de emprego. Não se quer prejudicar ninguém, muito menos tornar o trabalhador escravo do emprego, mesmo porque a CLT não permitiria jamais isto. O que desejamos é que haja um debate aberto e amplo e que deve permear todos os setores da sociedade, principalmente a classe trabalhadora de Ituiutaba e o poder público constituído nas pessoas do senhor prefeito Dr. Públio Chaves e dos nobres vereadores da cidade para avaliarmos os ganhos e possíveis obstáculos numa futura discussão sobre este delicado tema. Como informação adicional a este tema, uma grande rede de lojas de projeção nacional, fez uma consulta recente sobre o horário de funcionamento do nosso comércio pois teria interesse em se instalar em Ituiutaba e uma das diretrizes da matriz é o funcionamento aos sábados até as 22 h e domingos até o meio dia. Isto pode ser um limitante para sua vinda e vários postos de trabalho deixariam de ser criados em virtude disto. É uma tema que precisa ser abordado com o devido cuidado e seriedade. Não pensamos em obrigatoriedade de abertura das empresas mas que elas estejam autorizadas a abrir nos horários que melhor convierem aos seus clientes. Se queremos um comércio diferente e moderno, teremos de pensar obrigatoriamente na sua disponibilidade de atendimento ao grande mercado potencial que temos em Ituiutaba.
Por fim, desejamos a todos um grande ano de 2010 e que todos tenhamos sucesso em nossas atividades.
Gerson Sebastião de Souza
Presidente ACII - Presidente Regional Federaminas Rio Paranaiba